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Equidade, igualdade, raça e gênero são temas centrais de debate durante oficina virtual com jovens rurais

Nestes dias 26 e 27, cerca de 60 jovens Agentes Comunitários Rurais (ACRs) participaram de oficinas virtuais sobre questões étnico-raciais. No primeiro momento, o tema central foi gênero e, no segundo, a discussão girou em torno das metodologias participativas sobre as temáticas abordadas. As oficinas trouxeram à tona, além de reflexões relevantes sobre equidade, igualdade e empoderamento feminino, o racismo, como explicita a assessora de gênero do Pró-Semiárido, Elizabeth Siqueira: 

“Trazer a identidade étnico-racial na perspectiva de gênero é importante para entendermos como o racismo imobiliza, cria preconceito, desgraça na vida da gente. Quando a gente acha que é uma raça superior, quando todos somos da mesma raça, pois somos humanos. Mas a questão da pele, os traços, os estereótipos, levam essa pessoa a estar numa situação de extrema desigualdade e, por isso, a gente tem que trazer a ideia do debate étnico-racial”. 

A jovem Aliete Gama, quilombola do município de Campo Formoso, lembrou a importância do projeto para a quebra de paradigmas: “A desigualdade é algo que vem de cima. Quantas mulheres negras fazem parte do projeto? Quantas mulheres negras estão inseridas na ATC? Essas questões têm que mudar e o Pró-Semiárido tem ajudado a mudar, por exemplo, tem a contratação do ACR, do jovem, da mulher negra do campo. Para muitos, assim como para mim, é o primeiro emprego com carteira assinada”. 

O evento realizado pelo Pró-Semiárido, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), e cofinanciado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), foi facilitado com o apoio da Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3.

Durante a oficina, os jovens e as jovens foram instigados a refletir sobre conceitos construídos do ser homem e ser mulher, bem como sobre o que pode ser feito para incentivar a igualdade de gênero ainda na infância. Para o jovem Alan Nunes, que mora na Fazenda do Meio, no município de Curaçá, as oficinas instigam uma mudança de comportamento: “Importantíssimo esses espaços para construção e desconstrução. Para que possamos nos tornar pessoas melhores em casa, nos escritórios e nas comunidades, e sempre está avaliando nossos posicionamentos e posturas”.

Metodologias de Gênero

Houve um momento na oficina de troca de experiências e avaliação de algumas metodologias de gênero do projeto, a exemplo da ciranda das crianças e caderneta agroecológica.  “A gente só pode de verdade tratar questões de gênero com as crianças depois do Pró-Semiárido, até porque nós nunca tivemos a oportunidade de numa assembleia, por exemplo, ter um espaço para as crianças. E hoje a gente tem um espaço onde as crianças podem ser educadas, podem brincar e tem alguém para cuidar delas e a gente pode participar da reunião”, afirma a ACR Aidraiane Ferreira.

Já para Gabryella Gomes Maia, “uma das coisas mais importante do projeto é ação de incentivar as mulheres”. Ela relata sua vivência, como jovem mulher, que venceu o preconceito dentro da sua comunidade: “no meu caso está sendo umas das melhores coisas, pois quando comecei a trabalhar como ACR, muitos falavam que eu não teria nem força e nem capacidade de exercer o trabalho por ser mulher. Mas, isso nunca me desanimou, pois sempre soube da minha força como mulher e muitos dos que não acreditaram em mim, hoje me elogiam”.