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Experiências do Pró-Semiárido são discutidas em programa sobre Agroecologia e Semiárido

Os desafios para a transição agroecológica no Semiárido foi o tema do programa Diálogos Agroecológicos, exibido na última sexta-feira (11), pelo canal Cultura Web TV, uma iniciativa do Centro de Agroecologia e Educação da Mata Atlântica (OCA), com o apoio da Estação Orgânica Grapiúna, Rede de Agroecologia Povos da Mata, Cineclube Mocamba, Aranha Produções, Artistas em Movimento/Coletivo Cultural e Cultura Web TV. O convidado do programa foi o subcoordenador do componente de Desenvolvimento Produtivo e Sustentabilidade Ambiental do Pró-Semiárido, Carlos Henrique Ramos, que falou da experiência com as famílias agricultoras assistidas pelo projeto, em 32 municípios da Bahia.

O Pró-Semiárido é uma ação de combate à pobreza rural do Governo do Estado, executada pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), cofinanciada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). O projeto tem como um dos princípios norteadores a adoção de estratégias que visam à prática de uma agricultura familiar autônoma, que respeita o meio ambiente e as características ambientais e sociais das comunidades.

Carlos Henrique elencou alguns dos problemas encontrados no início da execução do Pró-Semiárido, como a perda da biodiversidade da Caatinga, desmatamento, concentração de terras, atuação de mineradoras e os impactos sociais advindos de tudo isso. Ele apresentou também as estratégias adotadas pelo projeto, com base no princípio da Convivência com o Semiárido: “Para conviver com o Semiárido, nada melhor do que a Agroecologia, pois ela nos apresenta recursos que nos possibilitam conviver com qualquer bioma”, explicou.

Carlos ressaltou ainda a atenção do projeto às características culturais, à forma de viver e fazer agricultura do povo do Semiárido, ao adotar metodologias como as rodas de aprendizagem, em que a família agricultora é protagonista do conhecimento compartilhado, conhecimento que pauta as discussões nos Núcleos de Estudo em Agroecologia e Convivência com Semiárido (Neacs). O Neacs é um espaço formativo, em que a equipe técnica pensa, analisa, estuda e desenha as ações do projeto, com foco em uma Assessoria Técnica Contínua (ATC), de forma holística e sensível a todos os aspectos dos subsistemas da família agricultora, sem desprezar os seus saberes e atuando de forma horizontalizada.

“Nesse processo, o agricultor é incorporado à Ciência. Ele experimenta coisas e ensina coisas. Nos Neacs, nós envolvemos a todos e formamos nossos técnicos, por exemplo, em metodologias como o LUME, uma ferramenta que nos permite enxergar os agroecossistemas, de uma forma que as metodologias convencionais e neoliberais não enxergam. Elas apenas querem saber se melhorou a renda e a produtividade, e não querem saber, por exemplo, como foi o trabalho da mulher, que tanto contribui para a segurança alimentar da família, com tantas horas de trabalho”, assinala Ramos.

Pandemia – Carlos Henrique destacou a atuação da CAR/SDR durante a pandemia e a capacidade da equipe técnica do Pró-Semiárido em se reinventar para dar continuidade ao trabalho: “Nós adotamos o home office e fomos buscar alternativas para desenvolver o trabalho. Criamos, por exemplo, o Prosas do Pró-Semiárido, um podcast semanal, em que nós reproduzimos a dinâmica das rodas de aprendizagem, agora de forma virtual”. O Prosas se assemelha a um programa de rádio e apresenta depoimentos de agricultores, dicas da equipe técnica e troca de experiências entre as famílias espalhadas nos Territórios de Identidade, atendidas pelo Pró-Semiárido.