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Frutos da biodiversidade baiana são destaque em evento gastronômico internacional

Produtos da biodiversidade, originários da agricultura familiar e de povos e comunidades tradicionais da Bahia, estão entre os alimentos bons, limpos e justos, que fazem parte das Fortalezas do Slow Food, apresentados nesta quinta-feira (19), durante o Terra Madre Brasil 2020, evento transmitido pelo canal  do Slow Food Brasil, no Youtube. 

O tema da Roda de Conversa, que contou com a participação dos representantes das organizações baianas que pertencem às Fortalezas, foi Slow Food na Defesa da Sociobiodiversidade e Cultura Alimentar Baiana: Compartilhamento de Experiências das Fortalezas da Bahia, a partir do trabalho coletivo e de base, como o do projeto Pró-Semiárido, executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), cofinanciado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e da Associação Slow Food do Brasil. 

Durante a programação, os representantes das fortalezas apresentaram o trabalho que vem sendo desenvolvido nas comunidades. Foi lançado também o documentário: Dois Riachões: Cacau e Liberdade, em que as histórias são contadas pelos próprios protagonistas, os agricultores e agricultoras familiares assentados. 

Na Bahia, já são consolidadas como Fortalezas o licuri, o mel de mandaçaia, o umbu, o maracujá da Caatinga e o cacau cabruca, e em consolidação estão a farinha e derivados da mandioca dos Kiriris e o buriti, de Pilão Arcado.

Elismara Silva, do Assentamento Dois Riachões, em Ibirapitanga, que estava representando a Fortaleza do cacau cabruca, fez uma breve contextualização histórica do processo, que contou com a realização de Oficinas de Capacitação no assentamento, reconhecimento das famílias e das matas. Ela falou da importância dessa conquista e da necessidade de organização comunitária para o enfrentamento dos desafios que ainda existem: “Se a gente não tiver organizado em associações ou cooperativas, não consegue ter autonomia e soberania para continuar produzindo e comercializando de forma justa, limpa, saudável e respeitando as tradições dos agricultores que têm em cada comunidade”. 

A atividade, mediada por Pedro Xavier, teve a participação de Revecca Tapie, do Movimento Slow Food, e de Advaldo Kiriri, representando a farinha de mandioca Kiriri e derivados; Cosme, representando o buriti; Davi das Mercês, o licuri e o mel de mandaçaia; e de Jussara Dantas, representando o umbu e o maracujá da Caatinga.
 
As organizações produtivas que integram as Fortalezas do Slow Food na Bahia são apoiadas pelo Governo do Estado, via projetos executados pela CAR/SDR, como o Pró-Semiárido e o Bahia Produtiva, financiados a partir de acordos de empréstimo com o FIDA e Banco Mundial, respectivamente.

O subcoordenador do componente de Desenvolvimento Produtivo e Sustentabilidade Ambiental do Pró-Semiárido, Carlos Henrique Ramos, destacou que para a produção do alimento bom, limpo e justo, a agroecologia, presente em todos os projetos apoiados pelo FIDA, é fundamental: “A agroecologia procura resgatar os saberes tradicionais e toda essa relação do homem com a ecologia e, portanto, a biodiversidade fica no centro dessa roda de conversa”.

Hardi Vieira falou da valorização do FIDA pelo trabalho que vem sendo desenvolvimento ao longo de cerca de 25 anos, com o Governo da Bahia, com destaque para o trabalho do Pró-Semiárido e da importância do trabalho do Slow Food, de valorização de produção local, e da ênfase em poder buscar novos mercados: “São ciclos de parceria que acho que têm uma grande sinergia. Nós buscamos sempre o mesmo objetivo, valorizar a produção local e potencializar toda a agricultura familiar do Semiárido da Bahia”.

Fortalezas do Slow Food
Em todo o mundo, são mais de 400 Fortalezas do Slow Food. O Brasil possui 21 consolidadas, sendo cinco dessas na Bahia. A Fortaleza Slow Food foi criada em 1999, com o objetivo de conectar produtores que estão em dificuldade e promover a comercialização dos seus produtos. Participam das Fortalezas agricultores familiares e povos e comunidades tradicionais, que vêm lutando para promover e manter viva uma técnica de produção, de produtos em risco de desaparecimento.

O Terra Madre, que segue até o próximo domingo (22), com mais de 50 atividades, entre rodas de conversa, diálogos, Oficinas do Gosto e espaços educativos dedicados à cultura alimentar, é uma correalização da Associação Slow Food do Brasil e do Governo do Estado da Bahia, por meio da CAR/SDR.