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Vitorinas é exemplo de empreendedorismo das mulheres rurais baianas

Mulheres de raízes fortes e doces sonhos! Essas são as Vitorinas, grupo formado por 51 mulheres que, juntas, compõem a Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar do Sudoeste da Bahia (Cooproaf), no município de Manoel Vitorino.

Esse é o retrato do novo rural. Dados de uma pesquisa da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA), realizada em 2017, revelam que uma em cada três propriedades rurais do país tem mulheres ocupando funções de comando. Nas pequenas propriedades, são 39% lideranças por mulheres. 
As Vitorinas são um dos exemplos de histórias bem-sucedidas de mulheres rurais baianas que tiram da terra seu sustento e do seu trabalho autoestima e empoderamento.

Foi da inquietação de ver parar na mão de atravessadores o trabalho de agricultores que, durante um dia inteiro de sol a pino percorrem quilômetros para colher o fruto, que um grupo, formado apenas por três mulheres, resolveu aproveitar o potencial de produção de umbu da região.

A presidente da Cooproaf, Marilda Santos, conta que, em 2006, ela e mais duas agricultoras começaram a beneficiar o produto e produzir doces para as cantinas das escolas: “Em 2010, depois de algumas capacitações e muita luta, fundamos a cooperativa que, hoje, é referência na região e temos muito orgulho de ser uma entidade que é espelho para as outras entidades”.

A Cooproaf está organizada em torno da produção e comercialização de derivados de frutas nativas da caatinga, principalmente o umbu. O doce ‘nego bom’ de umbu é o carro-chefe da marca Imbuíra, produzida pela cooperativa, que tem ainda no seu mix de produtos geleias, doces e compotas.

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Raízes fortes
Segundo Marilda, Vitorinas foi o nome sugerido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), que vem apoiando as ações para fortalecimento da cooperativa: “O nome ´Vitorinas, mulheres de raízes fortes e doces sonhos’ foi em homenagem às mulheres que começaram esse trabalho”. 

Uma em cada três propriedades rurais do país tem mulheres ocupando funções de comando. Elas ganham cada vez mais espaço e a presença feminina nas propriedades rurais é notória, diz Marilda: “Mas um trabalho feito por mulheres é bem difícil, pois ainda vivemos em uma sociedade machista e não foi fácil chegar onde a gente chegou, foram muitos desafios, o cenário era triste para mulheres, pretas, pobres, recebíamos nomes de loucas, que não iria dar certo, mas estamos vendo tudo que tem acontecido com a Cooproaf”.

Marilda é agricultura familiar, mulher rural e está à frente de umas das cooperativas mais bem-sucedidas do Território Médio Rio das Contas. “Ser presidente dessa cooperativa é uma mistura de sentimentos, de conquistas, de conseguir um espaço que é nosso, de mulheres, de sair da mesmice, de conhecimento que a gente não tinha e que hoje temos e dinheiro nenhum paga isso. Foi um crescimento pessoal, adquirido pelo trabalho. Hoje podemos viver em qualquer outro lugar e não só no campo, com a experiência que temos dessa luta podemos nos orgulhar”, desabafa Marilda.